sábado, 12 de julho de 2008

Um texto muito bom


“A história de toda a sociedade até hoje é a história de lutas de classes. Nas anteriores épocas da história encontramos quase por toda a parte uma articulação completa da sociedade em diversos estados. Na Roma antiga temos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média senhores feudais, vassalos, oficiais, aprendizes, servos. A nossa época, a época da burguesia, distingue-se, contudo, por ter simplificado as oposições de classes. A sociedade toda divide-se cada vez mais, em dois grandes campos inimigos, em duas grandes classes que diretamente se enfrentam: burguesia e proletariado. A burguesia conquistou por fim, desde o estabelecimento da indústria moderna e do mercado mundial, a dominação política exclusiva no moderno Estado representativo. O moderno poder de Estado é apenas uma comissão que administra os negócios comunitários de toda a classe burguesa. A burguesia se despiu da sua aparência sagrada todas as atividades até aqui veneráveis e consideradas com grande reverência. Transformou o médico, o advogado, o padre, o poeta, o cientista em trabalhadores assalariados pagos por ela. Não deixou outro laço entre a Humanidade que não o do interesse nu, o do insensível “pagamento a pronto”. Transformou a dignidade pessoal num valor de troca, e no lugar das inúmeras liberdades conquistadas pôs a liberdade única, sem escrúpulos, a liberdade de comércio. Numa palavra, o lugar da exploração encoberta com ilusões políticas e religiosas, pôs a exploração seca, direta, depurada, aberta. Liberdade de comércio de compra e venda. A liberdade que dizer liberdade de comércio, de compra e de venda. A necessidade de um escoamento sempre maior para os seus produtos persegue a burguesia por todo o planeta. Tem de se implantar em toda a parte, instalar-se em toda a parte, estabelecer contatos em toda a parte. As antiqüíssimas indústrias nacionais foram aniquiladas, e são diariamente aniquiladas. São desalojadas por novas indústrias cuja introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas; por indústrias que já não laboram matéria-prima nativas, nas matérias-primas oriundas das zonas mais afastadas, e cujos produtos finais são consumidos não só no próprio país como simultaneamente em todo o mundo. Para o lugar das velhas necessidades, satisfeitas por artigos do país, entram as novas, que exigem para a sua satisfação os produtos dos países e dos climas mais longínquos. Todas as nações são obrigadas a apropriarem o modo de produção da burguesia, estavam adormecidas no seio do trabalho social? Isto é, a tornarem-se burguesas. Numa palavra, ela cria para si um mundo à sua própria imagem. Aglomerou a população, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos. Subjugação das forças da Natureza, maquinaria, aplicação da química á indústria e a agricultura, navegação, caminhos-de-ferro, telégrafos elétricos, arroteamento de continentes inteiros, navegabilidade dos rios, que século anterior teve ao menos um pressentimento de que estavam adormecidas no sei do trabalho social? A sociedade burguesa moderna com as suas relações de produção e propriedade, que desencadeou meios tão poderosos de produção e de intercâmbio, assemelha-se ao feiticeiro que já não consegue dominar as forças subterrâneas que invocara. Nestas crises irrompe uma epidemia que teria parecido um conta-senso a todas as épocas anteriores a epidemia da sobreprodução. E como é que a burguesia supera estas crises? Por um lado, pela destruição forçada de uma massa de forças produtivas; por outro lado, pela conquista de novos mercados. Os interesses e as condições de vida no interior do proletariado tornam-se cada vez mais semelhantes: a maquinaria apaga cada vez mais as diferenças do trabalho e quase por toda a parte faz nivelar os salários por baixo. O movimento proletário é o movimento autônomo da imensa maioria, no interesse da imensa maioria. O proletariado, a camada mais baixa da sociedade atual, não pode elevar-se não pode endireitar-se, sem fazer ir pelos ares toda a superestrutura das camadas que formam a sociedade oficial. De tempos a tempos os operários vencem, mas só transitoriamente. O resultado verdadeiro das suas lutas não é o êxito imediato, mas a união dos operários que cada vez mais se amplia. Ela é promovida pelos meios crescentes de comunicação, criados pela indústria moderna, que põem os operários das diversas localidades em contatos uns com os outros. Têm-nos censurado, a nós, comunistas, de que queríamos abolir a propriedade adquirida pessoalmente, fruto do trabalho próprio propriedade essa que alegadamente formaria a base de toda a liberdade, atividade e autonomia pessoais. Propriedade fruto do trabalho, conseguida, ganha pelo próprio! Falais da propriedade pequeno-burguesa, pequeno-camponesa? Não precisamos de a abolir, o desenvolvimento da indústria aboliu-a e abole-a diariamente. Horrorizais-vos por querermos suprimir a propriedade privada. Mas na vossa sociedade existente, a propriedade privada está suprimida para nove décimos dos seus membros; ela existe precisamente pelo fato de não existir para nove décimos. O comunismo não tira ninguém do poder e se apropriar de produtos sociais; tira apenas o poder de, por esta apropriação, subjugar a si trabalho alheio. O palavreado burguês acerca da família e da educação, acerca da relação íntima de país e filhos, torna-se tanto mais repugnante quanto mais, em conseqüência da indústria moderna, todos os laços de família dos proletários são rasgados e os seus filhos transformados em simples artigos de comércio e instrumentos de trabalho. A burguesia deitou fora os laços sentimentais existentes no seio da família e reduziu a relação familiar a uma simples relação de dinheiro. Não há nada mais ridículo do q eu a moralíssima indignação dos nossos burgueses acerca da pretensa comunidade oficial de mulheres dos comunistas. Os comunistas não precisam introduzir a comunidade de mulheres; ela existiu sempre. Os operários não têm pátria. Não se lhes pode tirar o que não têm. O poder político não passa do poder organizado de uma classe para oprimir a outra. No lugar da velha sociedade burguesa, com seus antagonismos de classe, teremos uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos. Os comunistas rejeitam dissimular as suas perspectivas e propósitos. Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pelo derrube violento de toda a ordem social. Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista!”

By K. Marx & F. Engels

Um comentário:

Renata Coura disse...

gostei do video
n tive paciencia pra ler o texto mas parece ser legal